23/11/2017 15h59 | Por: Natália Souza

A paixão pela cultura e o pioneirismo antropológico de Ferreira Pinto

Nascido em Alagoas, Pinto se mudou para Recife onde se formou em Ciências Sociais e Jurídicas. Ele era especialista na área de etnologia indígena

Texto de: ALmanaque 200 - Outubro
Card Personalidade Estevao Menezes
Card Personalidade Estevao Menezes

Reconhecido como um dos pioneiros da antropologia no Brasil, o alagoano Estevão de Menezes Ferreira Pinto (1895-1968) faleceu em 10 de outubro. Filho de Júlio Lopes Ferreira Pinto e de Emília de Menezes Ferreira Pinto, em 1912 mudou-se para Recife, formando-se em Ciências Sociais e Jurídicas em 1917. 

Especialista na área de etnologia indígena, seu livro Fulniô – Os últimos tapuias é considerado uma referência. Para o sociólogo Florestan Fernandes, as pesquisas de Estevão Pinto são tão importantes como os trabalhos de nomes como Nina Rodrigues e Arthur Ramos.

Graças aos seus estudos, a cultura e costumes de muitos povos foram registrados, como nesta passagem do livro Os indígenas no Brasil  (1935): 

O tabaco era usado imoderadamente pelos tupi-guaranis.Colhiam a planta, secavam-na, dependurada nos varais de suas ocas, após o que, metida em canudos, ou ‘cangueiras’ de folhas, punham fogo a uma das pontas dessa espécie de charuto e, pela outra, sorviam-lhe o fumo”. 

Afirmavam os índios que, quando sentiam falta de alimento, o tabaco matava-lhes a fome e a sede, motivo pelo qual o traziam sempre (Estevão de Menezes Ferreira Pinto)

 

Substituiu Gilberto Freyre

Na área da educação, o alagoano substituiu Gilberto Freyre como professor de Sociologia Educacional no Instituto de Educação de Pernambuco e também dirigiu a instituição. Em 1950, foi um dos fundadores e o primeiro diretor da Faculdade de Filosofia de Pernambuco, onde instalaria um Instituto de Antropologia.

Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, o intelectual também ocupou a cadeira 29 na Academia Pernambucana de Letras e foi membro da  Sociedad Geográfica Americana (Buenos Aires) da Société des Américanistes de Paris. Em 1989, tornou-se o patrono da cadeira 56 do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

Leia mais sobre Ferreira Pinto no nosso ALmanaque 200 do mês de Outubro: http://bit.ly/AlmanaqueOutubro